Baan Tong Luang: A Tribo das Mulheres Girafa

Pesquisando sobre a Tailândia me deparei com a tribo Baan Tong Luang, mais conhecida como a tribo das mulheres girafa, aquelas que usam argolas douradas em volta do pescoço para alongá-lo.

Sempre alimentei um fascínio e curiosidade por essas mulheres, mas lendo relatos sobre o assunto não consegui me decidir se bom visitá-las quando estivéssemos por lá.

Essa tribo é original do Miammar, mas, devido a perseguição sofrida em seu país, essas mulheres foram obrigadas a se refugiar na Tailândia. Até aí me parecia que visita-las seria, sim, uma boa ideia. Imaginava uma tribo vivendo em paz, como em sua terra natal, preservando seus costumes, sem perseguição e por vontade própria. Acontece que a maneira em que são tratadas pelo governo Tailandês não é muito clara.

Na realidade elas vivem em uma espécie de vila, perto da cidade de Chiang Mai, criada pelo Estado para abriga-las. Alguns dizem que elas são impedidas de trabalhar e que são obrigadas a permanecer nos locais designados para as visitações, sem qualquer liberdade. Já outras pessoas dizem que elas vivem felizes e protegidas, que apenas usam do turismo para venderem seus artesanatos. Há também os que acreditam que elas não são obrigadas a nada, mas que também não tem outra perspectiva além de permanecer na realidade em que estão.

Confesso que até hoje não sei se vale a pena ou não fazer esse passeio, mas o que venceu foi a minha curiosidade e a vontade de ver com meus próprios olhos a realidade dessas mulheres.



Na verdade o passeio conta com várias tribos. Você caminha livremente por um campo com diversas casas que abriga as mais diferentes tribos, cada uma com seus próprios produtos, vestimentas e enfeites. Trata-se de um pequeno vilarejo, com escolas, plantações  e etc.

O lugar é assustadoramente calmo e nós nos sentimos muito desconfortáveis com a situação. A impressão era que estávamos invadindo a vida daquelas pessoas para observa-las. Elas, por sua vez, apenas nos observavam passar, todas vendiam vários produtos, mas não falavam nada.

Tudo melhorou um pouco quando nosso taxista chegou e começou a conversar com as tribos. Elas pareciam mais confortáveis na presença dele e conversaram com a gente também. Só nesse momento, e com a anuência de todas elas, que arrisquei tirar algumas fotos, mas mesmo assim aquilo me parecia estranho.


A última tribo era a tão esperada Baan Tong Luang. De longe vi algumas menininhas com as argolas douradas e meu coração deu um salto. Como eram lindas! Indescritível a beleza desse povo! Conversei um pouco com uma senhora que parecia a mais velha da tribo e ela contou que aos 5 anos de idade elas recebem as primeiras argolas e que a cada ano um anel é adicionado até que a mulher se case. Ela me mostrou uma foto dela sem as argolas e explicou que na verdade seus ombros foram empurrados para baixo, o pescoço permanecia do mesmo tamanho. Ela quis colocar algumas argolas no meu pescoço e pude sentir o grande peso daquilo.

Mais adiante algumas crianças vieram conversar, muito brincalhonas e animadas, como qualquer criança do mundo. No meio das brincadeiras nos contaram que aquilo em seu pescoço era muito pesado, mas que não precisávamos de nos preocupar porque não enforcava. Muito inteligentes, com apenas 10 anos de idade, falavam inglês e arriscavam algumas palavras em espanhol.

Saímos de lá sem saber o que estávamos sentindo, e se me perguntarem até hoje não sei dizer o que penso daquilo tudo. A impressão que deu é que elas estão seguras, que são felizes, mas eu sinceramente não sei até que ponto. Será que elas tem alguma alternativa fora dali? Será que elas mantêm essa prática tão agressiva como deformar o próprio corpo por amor à sua tradição/história ou apenas para alimentar o turismo? Será que ao ir visitá-las estou incentivando sua exploração, ou proporcionando seu único meio de sobrevivência? Muitas perguntas que eu achei que seriam respondidas, mas que na verdade só aumentaram.

Não escrevo isso para recomendar a visita, mas para propor uma reflexão e quem sabe impulsionar uma pesquisa mais profunda do assunto, já que pouco se sabe sobre a vida dessas mulheres. 

Saí com o coração pesado, e de todas as dúvidas, só permaneceu uma única certeza: o ser humano é maravilhoso em qualquer parte do mundo e todos merecem respeito.

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